E os espíritos das rosas
Respirando em sincronia com a chuva fina
Ela desliza os dedos das mãos nas pernas pálidas
Falsa pulchritudine*...
Ela branda, com cabelos curtos
Lembra me um garotinho
Sorrindo para o próprio reflexo no fundo do abismo
Um sorriso tão aquecedor
Segura a xícara de café
Mas o corte da abertura da sua boca
Sangra...
Café com sangue
O cigarro dissipa-se no ar
Oblíquo, resiste à morte.
Suas mãos partem em centenas de pedaços
Carne e ossos quebrados
Ela chora.
A menina-menino,
Come as rosas
O espírito totus ardeo*
Infernis, tenebris...*
Ela grita para o próprio reflexo
Geme e aos poucos vira fumaça
Pequena menina-menino vampira.
Pulchritudine – do latim: pureza
Totus ardeo – do latim: tudo queima
Infernis- do latim: inferno, infernal
Tenebris-do latim: tenebroso


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